VENENOS ANTIMONOTONIA

take your time

Mês: setembro, 2013

Mauvaise Sang

[…
Um laço partido pode partir todos os outros.
É como um crime, e eu sou o assassino
Você é a minha arma. Não esquecida, mas abandonada na cena do crime. Tomara que se apaguem de você as minhas digitais
Sei que tua juventude vai preservar tua estranha compreensão.
[…
Eu me lembro do teu primeiro desenho
Um dos melhores
E a frase em baixo:

“Quando uma garota abre as pernas seus segredos voam para longe como borboletas”

(ex)Camas da Vida

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Deitei em muitas camas,
de cigarros diferentes pude provar.

Dessas camas vi tetos e paredes de todos os jeitos,
azulejos madeiras e manchas de mofo nas parades.

Haviam quadros e cores,
fotos de vidas e pessoas que eu nunca cheguei a conhecer.

A bebida, o trago e a música – do blues ao bom Caetano
Madrugada a dentro eu me fazia de todas em um corpo só – me desfazia
Tornava-me dois corpos, suados, embriagados, dopados…

Largava-me na cama
no chão
no sofá – onde quer que fosse
Na vida me perdia, me desprendia.

Por fim amanhecia em camas estranhas
com cafés estranhos
pessoas estranhas

Corpos nus completamente desconhecidos, banhados pela luz do sol
ressaca latejante
e aquele velho gosto de cabo de guarda-chuva na boca.

-Maya Costa (Anita)

Anita

Aquele maldito gole de uísque trouxe você de volta pra mim, sua puta imunda!
Em que bueiro da baixa Augusta eu te abandonei? E por que diabos voltastes?
Aqui ninguém de chama,
Ninguém te quer.

Cão dos infernos que incendeia meus pensamentos
A sua chama que clama ardente em minh’alma
que grita por hoje ser menos você

Seu nome tem o gosto da vida – daquela vida
A nossa vida maldita que corre em minhas veias
e não se desprende por nada

Teu cheiro faz morada em minha pele,
Me fazendo meio bicho, meio mulher – não! me fazendo meio puta mesmo!
Ah, mulher…

Volta pro fogo onde outrora ardia e abandona minha mente sã
Antes do próximo gole de uísque
Antes que eu me renda.

-Maya Costa

A Love Poem

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todas as mulheres
todos os beijos as
diferentes formas que amam e
falam e carecem.

suas orelhas todas elas têm
orelhas e
gargantas e vestidos
e sapatos e
automóveis e ex-
maridos.

na maioria das vezes
as mulheres são muito
quentes elas me lembram
torrada com a manteiga
derretida
nela.

está estampado no
olhar: elas foram
tomadas elas foram
enganadas. eu nunca sei o que
fazer por
elas.

sou
um bom cozinheiro um bom
ouvinte
mas nunca aprendi a
dançar — eu estava ocupado
com coisas maiores.

mas eu apreciei suas variadas
camas
fumando cigarros
olhando para o
teto. não fui nocivo nem
desleal. apenas
um aprendiz.

eu sei que todas têm
pés e descalças elas andam pelo piso enquanto
eu olho suas modestas bundas no
escuro. sei que gostam de mim, algumas até
me amam
mas eu amo muito
poucas.

algumas me dão laranjas e vitaminas;
outras falam mansamente da
infância e pais e
paisagens; algumas são quase
loucas mas nenhuma delas deixa de fazer
sentido; algumas amam
bem, outras nem
tanto; as melhores no sexo nem sempre são as
melhores em outras
coisas; cada uma tem seus limites como eu tenho
limites e nós aprendemos
cada qual
rapidamente.

todas as mulheres todas as
mulheres todos os
quartos
os tapetes as
fotos as
cortinas, é
algo como uma igreja
raramente se ouve
uma risada.

essas orelhas esses
braços esses
cotovelos esses olhos
olhando, o afeto
e a carência eu tenho
agüentado eu tenho
agüentado.

 

-Charles Bukowski

Relato Maternal III

Bebês choram. Choram muito. Bebês dificilmente dormem uma noite inteira. Bebês sentem dor. É a formação do intestino, os dentes apontando, as quedas quando começam a andar. Bebês não aceitam muito bem as papinhas salgadas, não gostam de água, estranham as frutas. Bebês reclamam de tudo. Gritam, fazem manha, choram.

Bebês pedem colo o tempo todo. Precisam dos pais o tempo todo. Bebês precisam se sentir seguros, protegidos, amados, queridos, acolhidos.
As expectativas precisam ser contidas. O choro não vai cessar. A dor dificilmente vai passar. O sono certamente não será tranquilo.
Bebês são exigidos demais. Tem que fazer cocô todo dia, não pode chorar, não pode fazer manha, não pode pedir colo, tem que dormir sozinho no berço, tem que comer toda a papinha, tem que aceitar chupeta, não pode chupar o dedo, tem que tomar todo o suco, tem que andar com um ano, não pode acordar no meio da noite… senão tem algo errado muito errado.
Gente, não é assim. Já falei isso por aqui milhares de vezes e não vou cansar de repetir: Bebês dão trabalho. Ponto. Fato. É isso.
Perde-se um tempo precioso reclamando do que eles fazem – ou deixam de fazer – ao invés de curtir os pequenos detalhes, únicos, momentos incríveis que jamais voltarão.
É preciso abstrair todo o cansaço, toda a loucura do dia-a-dia, todo o stress e nervosismo. É preciso administrar as dificuldades, é preciso saber lidar melhor com os problemas. É preciso conseguir olhar através da parte difícil para enxergar a parte mais linda.
Diminuir as expectativas para aumentar – ainda mais – o amor. Muito colo, muita calma, muitos beijos, muita paciência, muito olho-no-olho, muita tolerância, muito toque, muito amor.

 

-Fabiana Dias Cardoso

Bernardo é Puro Amor

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Carrega consigo um brilho nos olhos que é de dar inveja as estrelas do céu.
Nas mãos o toque da delicadeza, afeto e carinho…
E quando sorri aquele sorriso sem pretensão nenhuma,
te deixa assim meio boba-apaixonada-babona
É a pureza em forma de gente pequenina

Deveríamos aprender mais com essa gente pequenina,
pois seus corações puros são incontestáveis
apaixonantes…

Não há o que contradizer, do fundo do meu coração, Bernardo é puro amor.

-Maya Costa

Intitulável

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O meu Amor amadureceu e se transformou em cumplicidade
Acordou um dia pela manhã decidindo que não ia mais se contentar com a efervescência das paixões efêmeras, enfim queria saber o que era a tal fidelidade
Não buscou, porque sabia que viria sozinho, não sabia quando, nem onde, mas tinha a certeza de que num domingo qualquer desses, que chove e depois faz sol, ia finalmente ser encontrado.
Eis que então, esbarraram-se com a alma e sem saber o meu Amor mergulhou naqueles olhos marejados de café
Sorriu, e só riu por um longo tempo.
Ali fechados em exclusivo universo paralelo, contentes por estar, e enfim os Amores puderam se entrelaçar.
Impenetráveis de qualquer outro sentimento, ali por si só havia o Amor encontrado o Amor
E como num detalhe pequeno e imperceptível, tal qual a folha que cai na camada fina e sútil de um lago naqueles dias gélidos, tornaram-se um só Amor.
Trajados sorrisos e gracejos, as pernas se enroscam, as bocas se unem, os corpos se desejam e a alma em paz transcende toda a sua luz.

Essa é a história do dia que o amor se tornou o Amor.

-Maya Costa

NULO

Vazio
Algo a mais
Algo a menos

Molécula por molécula do meu fadigado corpo,
surta.
As correntes energéticas entram em contramão
Se esbarram umas nas outras, transformando tudo em um grande
mix
de loucura e psicopatia.
Os pensamentos já não mais se encaixam,
não há solução à vista, só algumas visões turvas.

Freaking out!
Freaking out!

Alma gélida
Tesão contido
E o banal cotidiano de quem se sente vazio.

Vazio, algo a menos.

-Maya Costa

Enlace

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“Eu possa dizer do meu amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.”

Há muito que eu queria escrever, contar sobre essa nova fase, colocar cada sentimento em palavras. Mas como, se nem mesmo eu sei como tudo isso aconteceu? Só me veio uma luz… Isso, uma luz logo ali na estação da Luz. E quando eu dei por mim, cá estava você, fazendo morada em mim, despertando aquele sentimento velho, empoeirado, cheios de teias de aranha (teias de mágoas). A principio o medo, em seguida mais medo ainda, mas eu me pergunto, medo de que? Medo de amar? Medo de sair da comoda solidão generalizada? Medo de romper com as minha própria ilusórias ideologias moderninhas?
Pra onde você jogou aquela velha eu, que desprezava qualquer tipo de sentimento, que se esvaía em um ou dois copos de cerveja e por ali mesmo na Rua Augusta se esquecia.
Há tempos que eu queria escrever, contar sobre essa nova (maravilhosa) fase. E aqui estou, tentando ainda colocar sentimentos em palavras, mas ora vejam que tolice, sentimentos não cabem em palavras vomitadas ou nesse clichê-demagogia barata que escrevo aqui.
Não sei mais como me expressar sem ser ultra-romântica, sem soar Bayroniana. Como não dizer que encontrei nos seus olhos marejados de café, tudo que eu sempre desejei mesmo que nos sonhos mais profundos e secretos. Meu peito ainda há de explodir, de novo, de novo e de novo. Quantas vezes for necessário, todas as vezes que seus dedos tocarem minha pele, assim nasce um arrepio.
Amar não é nada (quase nada), perto do que eu penso sentir. Penso, porque acho que sinto até mais do que a minha capacidade lógica consegue captar.
Você é todo o oxigênio do meu mundo, estar sem você é só morrer nas horas, nos minutos, nos segundos…
E eu sei, com absoluta certeza, que isso é pra sempre. O nosso “Eterno enquanto dure”. O nosso “Felizes para sempre”. O famosos e clichê “Até que a morte nos separe”.

Sem mais.
Eu amo você, como eu nunca imaginei amar, como eu nunca imaginei existir amor assim.

Eu sei, nem me reconheço escrevendo tal heresia.

-Maya Costa Drago

Maya encosta

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As vezes Maya encosta

E eu rio.
Foi na maré da tua risada
Que eu aprendi a remar a vida.

Montado num cavalo branco
Ogum vigia sua filha. E seus filhos.
Uma piada de mau gosto
É isso que somos, e toda
A liberdade do mundo
Em dois corações vagabundos.

Um brinde, um brinco. Uma pena.
As vezes Maya encosta
E eu rio.

 

8ui